quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pagina 05 Eu Morri?

          A ultima coisa que me lembro foi que na noite passada tudo escureceu e eu caí. Senti meu corpo dormente e minha mente vaga, tentei mexer meus dedos, mas pareciam não me pertencerem... quis gritar, mas faltou-me coragem, parecia que minha voz havia sumido também, não tive forçar nem para tocar minha boca... então eu esperei... esperei para ver se algo aparecia ou mudaria, mas nada aconteceu....
          Fiquei nesse mormaço de dormência não sei por quanto tempo até que aquela luzinha surgiu... era tão pequininha que pareceu me cegar. Tapei meus olhos... Olha! Eu consegui movimentar minha mão, olhei para meus pés e os vi flutuando num manto escuro, sem base, sem nada... fixei o olhar novamente na luzinha prateada e ela cresceu... cresceu... cada vez mais se aproximando de mim, mas eu não tive medo. Era confortável, estava confortável na verdade... toda dormência pareceu ser tirada de mim no momento em que ela surgiu. Olhei para os lados e todo aquele breu de horas ou minutos antes, não soube identificar, tomou forma de parede, como se eu estivesse num túnel... escuro... e uma luz que se aproximava inteligentemente. Gritei!
          Minha voz bateu na parede concava  e sumiu engolida pela luz que se aproximava cada vez mais... tentei me levantar, mas meu corpo ainda flutuava. Sacudi as pernas, girei meu tronco e eu continuava no mesmo lugar... sobre o nada, sem subir, inclinar, ou descer... eu girava no meu próprio angulo. Ergui novamente a cabeça e a luz estava a pouco centímetros de meus pés. Eu a contemplei maravilhada, era como um portal que levava ao um outro lugar, totalmente diferente do lugar de onde eu estava. Eu quis largar-me daquela inercia e mergulhar naquele desconhecido e assim o fiz. Foi fácil... e assim me desliguei daquele lugar escuro.
          Senti meu corpo ser sugado, senti moléculas minusculas de luz estourando em minha pele a medida que eu me deslocava naquele vórtice de luz. Senti meu corpo desfigurar como se tornasse uma liga mole e borrachenta. Sumi. Apaguei... quando dei por mim estava pisando num tapete infinito de grama verde como esmeralda. Olhei para o céu e contemplei aquela tarde maravilhosa que me fez perdes as palavras. Eu estava em um campo aberto, a imensidão da gramagem sumia no horizonte infinito, havia colinas e montanhas distantes. Tudo verde. E um céu azul... tão azul quanto... eu não tive palavras para descrever. Chorei. Repugnei-me por isso. Nunca fui de chorar, e agora pareço uma criança boba e sentimental. Limpei meus olhos e caminhei... segui sem rumo naquele paraíso a perder-se de vista. Parecia só, mas não me sentia só... caminhava, mas parecia ter alguem ali comigo, eu rodei tentando ver algo, ou alguem, mas nada. Ninguém! Continuei andando... sem rumo...
        " Eu morri...?" Pensei sem acreditar. Mas como? E é assim o pós morte??? Mas não era assim que me contavam...
          - Não filha... você não morreu... - disse uma voz vinda do nada. Eu saltei sobressaltada.
          - Quem está ai? Perguntei girando-me feito um peão. Olhei para uma direção e vi uma jovem assim como eu. Estava de costas, não deu para reconhecer... tinha um véu na cabeça e uma vestimenta branca que meneava ao toque do vento suave que transitava naquele mundo estranho. Eu gritei, mas ela parecia não me ouvir. A medida que eu corria para ela a mesma distancia permanecia. Senti minhas pernas amolecerem.
         "Não vai adiantar... pensei respirando cansada  ela está se distanciando na mesma velocidade em que eu corro, mas como isso?"
         - Tudo isso aqui é fruto de seu pensamento. - disse a voz masculina novamente. - Você está dentro de você mesma, e precisa começar a conhecer a si própria... Vamos! Arrisque... aproveite...
         - Como assim estou dentro de mim mesma? - Perguntei abrutalhada.
         Houve um silêncio que para mim foi uma resposta. Olhei para a jovem, mas ela não estava mais lá. Urrei... queria mais respostas. Abaixei e esmurrei o chão. Houve então uma onda no tapete infinito de grama esmeralda, como se abaixo de mim houvesse água. Assustei e pulei repreendendo aquilo. A onde se foi tomando todas as colinas e sumindo nas montanhas. Como eu fiz aquilo? Me perguntei. COMO!? Abaixei com cautela e toquei o solo, era duro. finquei meu dedo nele e afundou. Senti um geladinho na ponta do dedo e puxei. Meu dedo saiu melado de uma liga metálica que escorria, tinha a cor de ouro puro. Eu olhei aquilo assustada e me levantei. Corri desenfreada, parecia nunca cansar... corri... corri... corri... nunca me senti tão leve. Senti que podia voar... mas não podia, isso é impossível!!! Pensei. Então saltei... senti meus pés deixando o chão numa facilidade e leveza. Gritei! Mas não de raiva, mas de extase... EU ESTAVA VOANDO!!! E era tão real, tão real!
        Sobrevoei as colinas que eram tão distante por horas afins, mas para mim pareceu apenas alguns minutos, fui no pico das montanhas e toquei as pequenas arvores que lá havia. Desci cortando o ar como se tudo ali me pertencesse, como se eu comandasse tudo aquilo. Desci... desci cada vez mais rápido... tão rapido que me assustei. Não consegui parar. Fechei meus olhos. Ia bater de cara no chão! Então parei, senti meu corpo pesado e endurecido. Abri os olhos e vi como se a grama tornasse o céu. Eu estava parada, de cabeça para cima a um centimetro do chão. Assustei e despenquei. O baque me causou uma baita dor nas costas, que definitivamente queria que passasse, e passou! Assim como eu imaginei...
          - Viu? - disse a voz masculina novamente. - Você está dentro de você, no seu mundo... vamos aproveite, - continuou ela como que me incentivando - seu tempo está quase terminando...
          Eu despertei. Estava no meu mundo e tudo ali me pertencia. Estava confiante! Ergui uma de minhas mãos e senti que o chão tremeu. Ergui a outra mão e fiz brotar do solo uma arvore imensa com galhos e folhas cintilantes. Então tudo começou a tremer. Como se estivesse num terremoto enfurecido. Levei um choque imenso e em segundos senti mãos frias me balançando, me chamando. Abri meus olhos e reconheci aqueles rostos. Estava novamente em meu corpo... pesado e sem graça, novamente. Bateu-me uma tristeza quando me colocaram de pé que quis chorar. Mas me belisquei me repreendendo. Papai me pegou no colo e me levou para oca. A Danra minha mãe não estava... senti moleza, fraqueza... e tudo sumiu de novo. Eu apaguei...