quarta-feira, 21 de maio de 2014

Pagina 01 - Banho no rio

         Vou começar contando a partir do dia em que eu estava tomando banho num rio. Bem, naquela epoca eu tinha seis anos, lembro-me muito bem. Em breve eu já estava pronta para receber as primeiras aulas antes das nossas iniciações. Tudo era lindo naquela época, nosso povo caminhava pela floresta de vocês com liberdade e alegria. Não havia guerra entra nada e ninguém. Inclusive o sol que queima nossas peles hoje não é o mesmo sol que me lembro muito bem, hoje é nítido sua ardência, seu brilho forte, por isso procuro não me mostrar para muitos...
         Naquela época, eu, quando criança costumava brincar num rio próximo a nossa aldeia, ele era frio fundo e escuro, eu gostava muito dele,  não havia quem não gostasse dele - sorriu - os velhos o chamava de fio de prata, porque apesar de escuro tinha um brilho intenso que no crepúsculo abraçava uma outra tonalidade. Esse rio nasceu de um cataclismo ocorrente muito antes de nossa tribo chegar aqui nessas terras, mas essa história eu conto em um outro momento - (anotei esse parentese para perguntar mais para frente a respeito desse ocorrido - nota do autor).
          Lembro que naquele dia demoramos mais para voltar pra aldeia, a água estava relativamente boa de mais para sairmos - disse ela sorrindo - era eu, Ceci e Moara ( Nomes que eu escolhi para substituir o nome que ela me passou, pois não sei como escrever devido a língua ser quase indecifrável, pelo menos para mim - nota do autor). Ceci e eu eramos como carne e unha, pra onde uma ia a outra ia atrás, eu não gostava da Moara, era muito chata, implicante, nariz em pé, eu não gostava dela, ao contrario da Ceci que era pequininha, meiga, e linda. Perdi as contas das brigas que eu tive com Moara, e não eram brigas como as mulheres de vocês brigam não, eu ainda vou contar para você escrever algumas que tivemos, mas hoje não. - disse ela - Voltando ao rio... aquele dia ficamos quase duas horas a mais do que costumávamos, Moara deu a ideia para subirmos nadando o rio para ver até onde ele daria, eu gosto de desafio e me prontifiquei logo em querer ir na frente, Ceci ficou com medo, mas eu logo a convenci. Nadamos alguns minutos pois o rio era vivo e intenso, logo cansamos. Ceci ficava sempre para trás e Moara a xingava de todo e qualquer nome, com certo tempo eu já não mais queria subir, queria voltar, não por mim, mas por Ceci que parecia está ficando azul com o gelo da água -sorriu - então começamos a descer pela margem do rio, com um tempo ouvimos o irmão de Moara gritar nossos nomes, ninguém respondeu, não estávamos muito longe, mas a uma distancia que dava para ouvir o miado da voz dele, minutos depois ouvimos outras vozes, já estavam ficando preocupados, mas quem se importa...? tava tão legal! Eu e Moara nos acabávamos na risada, como era emocionante teimar com os mais velhos, ao contrario de Ceci que ficava implorando para que voltássemos. Naquele dia eu até briguei com ela, Moara puxou o cabela da bichinha... então a brincadeira acabou... o irmão de Moara nos achou enquanto ficamos perdendo tempo rindo e brigando com Ceci.