quarta-feira, 21 de junho de 2017

Página 23 Me Encontrando

     Tirei a última raiz que saía a minha perna esquerda. Me senti de certa forma mais leve. Por um segundo encarei o entulho de galhos que se formaram ao meu lado de tudo que tirei e pensei como aquilo era possível? Encolhi minhas pernas passando as mãos em minha pele, ela estava lisa como se nada tivesse acontecido, como pode?! Levantei-me, dei alguns passos a frente e parei. Agora que estava sozinha eu poderia ver melhor a tal lagrima de Xavú. Coloquei a mão na minha bolsinha e tirei a pequena pedra. Vou confessar ... Me senti estranha. Que pedra linda! Pensei.
     Peguei-a com os dois dedos e a foquei com os olhos. Havia alguns símbolos estranhos impressos nela... O que será que estava escrito? Pensei. Elevei-a a altura dos olhos e Mirei pro sol, naquela posição eu pude notar uma parte leitosa dentro da pedra, era ela que dava a cor âmbar aquela preciosidade.
     - Que estranho! - disse bem baixinho pra mim mesma enquanto a olhava rente aos olhos. - mas o que quer dizer esses simbolos?
     Notei então que algo dentro da pedra se mexeu.
     - ??? - Afastei a pedra um pouco, depois voltei a perto dos olhos.
     Senti um calafrio subindo pelas minhas costas, os símbolos sumiam lentamente enquanto se desfaziam dentro do liguido mentoso dentro da pedra.
     - Nossa... - disse quase inaudível - parece que está derrentendo ou...
     A parte escura que formava os símbolos derreteram se encontrando dentro da pedra, olhei aquilo pasmada... O líquido escuro formou um globo dentro da pedra.
     - ...parece um... !!!!!!
       Joguei a pedra no chão abismada, minhas pernas começaram a tremer e minhas mãos gelaram na hora. Era como se a pedra se tornasse um olho!!!
     Dei alguns passos para trás e aquele olho parecia me acompanhar, eu andava e ele me olhava fixamente.
     - O que é isso!? - me perguntei pondo as mãos frias na boca - pare de me olhar... PARE!!! - urrei.
     Juntei coragem e chutei longe aquele olho acastanhado. Minha respiração ofegante me deixou meio zonza, então uma mão me segurou no ombro.
     - AHHHHHHH!!!!! - gritei estérica. A pessoa atrás de mim recuou sem entender.
     - Natasha? O que foi? - disse a voz que eu conhecia bem.
     Me virei com a cara estupefada. Provavelmente eu teria corrido da minha própria feição.
     - Ah Saíra!!! - desabafei aliviada - você quer me matar é?
     - Te matar Natasha? - disse ela meio irônica e sem entender. - O que você estava fazendo aqui sozinha? Está todo mundo preocupado com você. Os homens da tribo estão te procurando a sete dias...
     - SETE DIAS?! - briguei com ela - QUE SETE DIAS? Não tem nenhuma hora que estou aqui...
     - Natasha... Já se passaram sete dias desde o dia em que você saiu do desdobramento do nada...
     - Para Saíra... - disse empurrando-a -  sete dias... Até parece...
     - Natasha é serio!
     - Me deixa saíra, me deixa!
     Entrei na mata tentando achar a trilha estreita e apagada que levava a caverna onde vi Moara. Caminhei por uns dez minutos quando ouvi murmúrios atrás de mim.
     - É ela, é ela...
     - NATASHAAAA!!!! - me chamou uma das vozes.
     Girei pra trás e vi Açuã e Jupiara ansiosos atrás de mim.
     Torci o bico e me virei contra eles.
     - Natasha, estão todos preocupados com você... Onde você estava?
    - Como onde eu estava? ESTAVA AQUI O TEMPO TODO!!!
    - Pensamos que tinha sido morta por uma onça - disse Açuã aliviado.
     - Que onça o que! - esbaforei - se eu visse uma onça eu era que iria comer ela!!
     - Natasha, a Danra, sua mãe...
     - O que tem minha mãe? Está preocupada? É só falar que já me acharam... - disse e sai tentando ficar só.
     Açuã e Jupiara se olharam meio pesaroso.
     - Não Natahsa... Ela está morta...
....continua.
M. L